sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Os resultados já eram esperados, não?

Nunca existiu PS Lisboa e PS Fafe. A ideia lançada não foi mais do que uma luta interna, em praça pública, para medir ‘egos’ e ver quem manda. Mas, independente das tomadas de posição de cada um, quem manda em último caso será sempre a regra ditada e devidamente contemplada pelos estatutos.
Fafe Sempre dizia, e muito bem, ‘Em Fafe mandam os Fafenses’ e não é que mandaram mesmo? Ao que parece mandaram-nos dar uma volta e, convenhamos, já não era sem tempo. Não é que o candidato não fosse uma mais-valia, mas já o era há 4 anos e a forma como foi tratado não caiu lá muito bem…
O PSD ainda não recuperou da hecatombe de 1979, precisamente o meu ano de nascimento. Ou seja, tive de andar a pesquisar o que se passou para tentar perceber quais as razões que poderão estar na origem para que numa situação de divisão de um partido não conseguir sequer um segundo lugarzinho. É mau demais!
Acreditem ou continuem na ignorância de sempre, o PSD é refém e vítima de uma ideia de elitismo bacoca. Ou seja, nas minhas pesquisas (nestes casos nada melhor do que ouvir os mais velhos) fui confrontado com a seguinte afirmação: ‘Quando o PSD era poder tinha uma atitude muito rude para com as pessoas. Em Regadas, por exemplo, foram duas pessoas pedir à Câmara na altura para que facilitasse na obtenção da licença para as suas casas, um por causa do muro e outro da própria casa que não lhe davam licença apenas por causa de um metro (1m) e até se pôs de joelhos a pedir por favor. Segundo eles, os senhores do poder responderam-lhes: «Estamos aqui para cumprir a lei e não fazer favores!». Sabes o que eles fizeram? Foram para o Bugio, na altura trabalhava lá mesmo muita gente, e começaram a lutar contra o PSD e apoiar o Parcídio. Um deles foi o teu tio Fernando. E a verdade é que o Parcídio Summavielle recebia toda a gente, antes da maioria, e isso não dava hipótese a mais ninguém. Pronto, aí está, o PSD não tem mesmo a melhor das imagens em Fafe e já não é de agora. É claro que em nada ajuda o facto de só quererem ouvir os militantes em alturas eleitorais, porque precisam deles para as listas e para abanar bandeirinhas, mas ao que parece, este ano foi um dos exemplos óbvios que as pessoas já não estão para aturar desvarios alheios. Militantes de longa data apareceram em força em listas do PS e Fafe Sempre. Isto deve ter leituras, não?
Só mais uma coisinha, não fui nada favorável e mostrei-o na altura da coligação entre o PSD e PS, mas com o tempo percebi que as coisas até corriam bem, será que a demissão dos cargos era necessária? O PSD só abriu portas para que outros ocupassem o protagonismo que era seu…
Os resultados da CDU foram equivalentes, mas confesso que pensava que Leonel Castro conseguiria aumentar a votação no Bloco de Esquerda, não só pela aposta de Lisboa com a correria a Fafe, mas também pelo brilhante trabalho que fizeram na construção dos IPF. Não foi assim…
Olhando rapidamente para a campanha, concluo que estes políticos são muito verdes no recurso às redes sociais. Prevaleceram os perfis falsos, o insulto e o azedume, deixando de lado o que realmente interessava mas que deveria ser trabalhado, pelo menos, desde há dois anos atrás.

Há, certamente, muitas avaliações e conclusões a tirar nos próximos tempos… A coisa vai animar!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

100 anos e humor requintado

Tive o privilégio, pela primeira vez na minha vida, de estar presente numa festa do centésimo aniversário. 100 anos. É verdade. Não é fácil. E, obviamente, isso leva a uma grande festa. Familiares e amigos rodeavam as mesas fartas, mas era lá no fundo que estava a poltrona com a Rainha da festa ou, como dizia a aniversariante com o seu tom de graça, ‘a santinha de Arouca… toda a gente vem ver a santinha de Arouca’ e as gargalhadas saltam em toda a sala.
Já não é fácil chegar aos 100 anos, mas chegar a essa idade e com a capacidade de brincar com as situações e usar um humor muito peculiar, aí é que é caso para dizer: viva a vida!
Florinda Silva Lemos, 100 anos. É a Mulher que vai á frente na idade em Regadas. É também a tia da minha cara-metade que logo me disse: «Não és da família, mas vais ser. Sorte! Sorte aos dois!». Eu apenas agradeci, mas retive cada palavra, afinal era a matriarca. Noutros tempos seria mesmo a chefe da tribo. Tempos em que os anciãos eram os grandes conselheiros, orientadores, e toda a gente os respeitava sagradamente.
A vida pregou-lhe algumas partidas. Enviuvou extremamente cedo, mas era preciso cuidar da sua família, do seu legado, e fê-lo com muita mestria. Basta apenas conhecer aqueles que lhe são mais próximos.

Se mais não podermos tirar de todos estes anos, fiquemos pelo exemplo de luta e perseverança de uma mulher de armas. Retiremos o exemplo de mãe e mulher dedicada e olhemos para a grande festa em que familiares e amigos se juntaram para celebrar a vida. A sua vida ou a vida de cada um com a sua, porque só assim é que a comunidade faz sentido.
#jornalpovodefafe

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Aguarda-se um mês cheio de promessas a curto prazo

Não sei se sou o único, mas este ano tirei umas feriazinhas da política. Às vezes temos mesmo de nos afastar para perceber o que os nossos mais críticos são capazes de fazer, já que ‘nunca se enganam e raramente têm dúvidas’. Ai é assim, ó sôtor? Então faça o favor de fazer uma boa viagem que nós ficamos por estes lados…
Aguardo com algum entusiasmo para conhecer as propostas que vão ser lançadas. Um ou outro amigo já me deu a conhecer algumas ideias. Umas parecem-me bem, outras nem por isso, mas o que realmente noto é que todas elas nos parecem pouco consistentes. São facilmente descartáveis, se é que me faço entender. Não estaria já na altura de se pensar um concelho a longo prazo? Conhecer as estatísticas da população e centrar toda a ação para melhor satisfazer as reais necessidades, mas de forma contínua e duradoura?
O que adiantou há uns anos construir campos multidesportivos em freguesias que não conseguiam fazer uma equipa quanto mais duas para se defrontarem? Pois, é mesmo isso… As estratégias têm sido muito pouco adequadas…

Penso, sinceramente, que ainda vamos a tempo de apelar ao bom senso. Não tentem fazer das pessoas ingénuas, porque elas quando querem sabem muito bem dar o verdadeiro pontapé. Aproveitem, senhores candidatos, para se sentarem com professores, economistas, juristas, agricultores, pedreiros e trolhas, padeiros e carpinteiros, ou seja, com representantes de várias profissões, movimentos e associações, mas que possam dar um contributo para o que efetivamente é necessário para Fafe.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

A praia fluvial de Regadas não era para estar pronta?

Este ano resolvemos apostar na aquisição de uns barcos. Caravelle K65. Grandes máquinas puxadas a remos. Não sabia remar. Numa aventura inicial que mais parecia as manobras dos carrinhos de choque, eis que o chilrear da passarada, a suavidade das águas cristalinas e as palmas das árvores ao sabor do vento me atiravam facilmente para um ambiente bucólico. Não eram mais as ondas do mar a embalarem, mas os sons de sempre, nas memórias mais felizes da infância.
Como é bom estar em paz com a natureza!
Não fosse o poder da natureza, mesmo no seu estado mais selvagem, até me sentiria triste com o desprezo a que está dotado um dos rios mais emblemáticos de Fafe. Um rio que permitiu alimento a centenas de famílias quando alimentava as turbinas de uma fábrica, o mesmo rio que leva a luz a tantas outras, entre campos, montes e vales até se juntar com outro e depois outro e terminar em grande forma mar adentro.
É triste. É mesmo muito triste quando há interesses que não se conjugam com os da natureza. É até vergonhoso quando se faz bandeira de um recurso natural que merece ser tratado com aplauso por toda uma população, mas depois é esquecido tão somente…
Seria assim tão difícil criar uma pequena presa e usar a areia acumulada para servir de poiso às toalhas mais ou menos floridas? E se se juntassem duas ou três mesas dessas já feitas e a preços tão acessíveis numa dessas lojas que vendem quase tudo?
Fácil, não? Custos? Reduzidíssimos… mas quando os interesses são outros…

Enfim, resta-nos aproveitar o rio tal como ele é. Selvagem. E, como é óbvio, continuar a esperar até que as melhores ideias voltem a reinar…

terça-feira, 1 de agosto de 2017

As autárquicas dos perfis falsos

O Homem é um ser eminentemente comunicativo. Precisa da comunicação como pão para a boca e água para o corpo. Não fosse isso e isto seria uma selvajaria ainda maior, mas quando há a necessidade do recurso a perfis falsos, principalmente dos agentes defensores da democracia e em pleno século XXI, é muito grave ou, pelo menos, muito triste e deprimente.
O que pensam os eleitores disto? Ou será que ainda continuamos tão a leste da política que já nem disso queremos saber?
A lei do ‘salve-se quem puder’ está lançada, não fosse a ânsia do poder para os que já lá estiveram e querem voltar ou o querer a todo o custo para os que mal puseram os pés nos momentos decisivos. Enfim, mais uma triste realidade do estado da política em Portugal.
Há quatro anos foi o momento áureo da discussão pública. O Blog Montelongo era o fórum de excelência. A pluralidade de opiniões era evidente. Depois tudo começou a esmorecer e os agentes políticos, que tentam agora chamar todos ao debate, foram os primeiros a fugir aos debates organizados bem no centro da cidade. Diziam que eram muito politizados… Mas há debate cívico sem envolver a política, a polis (cidade) ou os cidadãos? E se o painel de convidados tem gente de todos os partidos, qual o problema de comparecer e intervir? Muito fácil, os políticos não estão preparados para o confronto da população.
O resultado deste afastamento e o medo da confrontação está agora bem visível no recurso aos falsos perfis. Pobres coitados. Mas vamos assistir até às eleições ao discurso oposto, o discurso que mostra que em primeiro estão as pessoas, o povo e outra vez o povo, mas de preferência que não chateiem mais nos próximos quatro anos, ok?

Precisamos de uma nova geração de políticos ou o discurso continuará a ser o mesmo! Precisamos de gente com capacidade comunicativa e precisamos mais ainda de uma política positiva. Há já candidaturas com gente muito nova. Parece que estamos finalmente a lavar a cara à política! Haja paciência e um dia todos vencem!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

As vantagens de uma política cultural bem estruturada

Fruto de uma oportunidade que a Universidade de Coimbra me proporcionou, a vivência numa República de estudantes, no passado final de semana lá rumei até uma pequena aldeia em Janeiro de Cima, no Fundão. Independente do que pudesse estar para me receber, são os abraços fraternos o que mais valorizamos. Mas como é óbvio, tudo o que possa ajudar a engrandecer o belo encontro é sempre bem vindo.
E foi assim que apareceu a casa típica na aldeia de xisto e a praia fluvial devidamente apetrechada: bar de apoio; campo de jogos; churrasqueira e mesas para a tainada; a barca típica que outrora ajudava no transporte de bens alimentares e até animais caprinos e agora ao dispor dos visitantes para apreciarem a paisagem.
E são assim as aldeias que marcam a diferença. São apenas 300 pessoas a residir habitualmente ali, mas são bem mais aos fins de semana e no verão. Este último é comum a muitos outros locais deste país de emigrantes, mas aumentar todas as semanas é só para aquelas que conseguem ter algo para oferecer. Por que se renovam? Por que acontece alguma coisa pontual? Ou será apenas por que usam o que de melhor têm? Certamente que qualquer resposta seria possível, mas é sobretudo a reconstrução de edifícios e tradições que são há já algum tempo o que mais está a devolver a grandeza às aldeias.
É claro que podemos dizer que já todos sabíamos isto. Mas se assim é, por que será que nem todas as aldeias sabem ou querem aproveitar isso?
Também sabemos. Todos. São os interesses particulares em detrimento do coletivo. É tudo menos o que importa a um político de honra. O trabalho para a comunidade.
Uma aldeia talvez não precise de muito para ser uma referência no panorama nacional e, muitas vezes, até internacional, mas para isso tem de trabalhar em conjunto com outras. Ser parceira em aspetos semelhantes e nunca concorrente. Ser diferente nas suas particularidades, mas complemento nas ações.
Só uma política cultural bem estruturada e agregadora é que será capaz de elevar a memória de um povo!

Falta cantar a língua portuguesa! 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Quando acontece sempre a mesma coisa

Os incêndios são um flagelo todos os anos. Todos esperamos o bom tempo para as grandes festividades, os casamentos, as comunhões, a praia e os festivais… mas sabemos que no bom tempo também aparece um dos maiores pesadelos para a espécie humana.
Não nos cansamos mais de chamar ‘heróis’ aos bombeiros, e bem, mas eles são heróis durante o ano todo, mesmo no Inverno, porque estão lá sempre… não precisavam de ter a função de apagar chamas para serem considerados como tal, basta o auxílio que dão às populações, estando, para isso, 24h sobre 24h de prevenção.
É sempre a mesma coisa. Todos os anos a mesma conversa. Não faltam conhecedores das causas e consequências dos incêndios, mas não há uma política verdadeiramente eficaz para acabar com tudo isto.
O que se pode fazer?
Penso que já foi mais do que discutido o que se pode fazer, mas basta que se conheçam donos aos terrenos e os obrigue à sua limpeza. Há apoios para isso, fiscalize-se. Não quer limpar? Paga multa ou fica sem o terreno, já que não é responsável para o ter… É claro que aí o Estado terá de se responsabilizar pela limpeza ou, quem sabe, pela cedência para cultivo em troca de o manter limpo e produtivo. O mesmo em todos a seu cargo…
Enquanto não se criar uma política a sério, isto vai acontecer ano após ano. Há muitos interesses e, o mais engraçado, é que já nem lhes importa esconder… é tudo à descarada!
Este ano foi demais. Há pessoas que perderam a vida porque não tiveram hipótese de escapar ao cerco do fogo… até dói só em pensar!
Acho que já chega de pensar no lucro, não? Anda um país inteiro à mercê de meia dúzia que lhes dá jeito: o aluguer dos helicópteros, a madeira mais barata…
E se tudo estivesse mesmo limpo? Com outro tipo de árvores?
Não dá lucro no imediato, pois não?
Acho que vamos ter mesmo de aceitar que algum familiar dos deputados compre uma frota de helicópteros, os de outros abram empresas de limpeza de terrenos e os de outras empresas de cultivo de terrenos cedidos pelo estado… pode ser que assim, com a adjudicação à família dos legisladores, já se consiga uma política que favoreça os portugueses.

sábado, 10 de junho de 2017

Este país anda ao rubro

Somos os maiores. Isto nem parece mais Portugal. Aquele país à beira mar plantado que depois de uma crise grave se ergueu e começou a ganhar tudo o que havia para ganhar. Foi o Campeonato da Europa. O Festival da Eurovisão. A eleição do Guterres para o mais alto cargo da ONU. O Ronaldo continua a somar troféus por onde passa. O Mourinho volta a ganhar. O Presidente da República adotou a palavra ‘afetos’ e faz do ato o brilho de tanta gente que se considera próxima do representante máximo. Isto anda bonito, pá!

Fafe não está muito diferente do país. No Raly, o mesmo sucesso de sempre. O Fafe tem uma moldura humana que dá gosto. As aldeias viraram-se finalmente para o seu património natural. A Terra Justa, o Festival da Vitela… enfim, há tanta coisa positiva a acontecer que se pode dizer que Fafe está a seguir o rumo certo. O que falta? Falta uma política que saiba aproveitar o melhor de cada aldeia, grupo ou pessoa. Mas quanto a isto, só o tempo o dirá…

Podemos dizer que o que não está bem em Fafe são os políticos. Ou a política dos políticos.
Mas não quero falar desses. São sempre os mesmos. As mesmas caras. As mesmas ideias ou a falta delas… São sempre os mesmos a trabalhar para os mesmos. Estou fora…

Como gosto deste Portugal assim. Fafe é só mais uma parcela que terá a sua hora de se livrar de todos estes políticos e encontrar alguém mais ao estilo de Marcelo. Uma nova geração de malta que vai sair de onde menos se espera. Malta que vai cortar com o estereótipo desses partidos e movimentos todos. É urgente mudar o rumo a Fafe.

Estas trocas e baldrocas são o reflexo do que chegou a política e os seus atores. Uma vergonha chapada onde a palavra ‘vale tudo’ é ordem há muitos anos, não pensem que é só de agora. Mas valha-nos Portugal. Valha-nos as vitórias por esse mundo fora. Mas valha-nos também as vitórias dos nossos conterrâneos, mesmo que seja uma jovem médica de Regadas, filha de gente humilde, que ganhou o prémio de melhor aluna. Foi para isso que apareceu o Abril. A revolução. A possibilidade de estudar dada a todos por igual. E, só assim, todos podem levar o nome de Portugal bem alto.
«Só falta (mesmo) cantar a língua portuguesa!»
 E em Fafe, mandar os políticos para as serras até às eleições só a pão e água!